Suplementos para fertilidade masculina funcionam? O que a ciência realmente mostra

Dr. Gustavo Inácio — médico urologista com atuação em andrologia · CRM-GO 15785 | RQE 11078 (Urologia) · Goiânia-GO
Publicado em 26/10/2026 · 8 min de leitura

Basta digitar "vitamina para aumentar espermatozoide" no Google para encontrar dezenas de cápsulas com promessas tentadoras: mais esperma, mais movimento, mais chance de gravidez. Para um casal que tenta engravidar há meses, a ideia de resolver o problema com um comprimido por dia é compreensível. Quase todo homem que chega ao meu consultório em Goiânia com dificuldade para ser pai já tomou, ou pensou em tomar, algum desses suplementos.
A pergunta é simples: eles funcionam? A resposta honesta é menos simples, e é justamente ela que pode poupar meses de tentativas, dinheiro e frustração. Sou o Dr. Gustavo Inácio, urologista que atende homens e casais tentantes em Goiânia, e neste artigo explico o que os melhores estudos e as diretrizes internacionais de urologia dizem sobre a suplementação na infertilidade masculina.
Infertilidade masculina: um problema mais comum do que parece
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta a infertilidade em algum momento da vida. E o homem não é coadjuvante nessa história: a diretriz da Associação Americana de Urologia (AUA) e da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) aponta que o fator masculino está presente em cerca de metade dos casais com dificuldade para engravidar.
Mesmo assim, muitos casais passam meses, às vezes anos, investigando apenas a mulher. Quando o espermograma finalmente mostra alguma alteração, o caminho mais rápido parece ser a farmácia. É aí que entram os suplementos com vitaminas C e E, zinco, selênio, ácido fólico, L-carnitina, coenzima Q10 e licopeno.
A lógica por trás deles faz sentido. Parte dos homens inférteis tem excesso de estresse oxidativo, um desequilíbrio que pode danificar a membrana e o DNA do espermatozoide. Em tese, antioxidantes ajudariam a proteger essas células. Mas, em medicina, uma boa teoria precisa passar pelo teste dos estudos bem feitos. E é aí que a história muda.
O que os melhores estudos mostram sobre suplementos para fertilidade
Em 2020, um estudo financiado pelo NIH, o instituto nacional de saúde dos Estados Unidos, testou exatamente a fórmula que se vê nas prateleiras. O ensaio MOXI acompanhou 171 casais em que o homem tinha alguma alteração no espermograma. Metade recebeu uma combinação de vitaminas C, E e D, selênio, L-carnitina, zinco, ácido fólico e licopeno; a outra metade, placebo. Após três meses, não houve diferença na concentração, na motilidade, na forma ou na integridade do DNA dos espermatozoides. Em seis meses, a taxa de nascidos vivos foi de 15% no grupo do suplemento e de 24% no grupo placebo.
No mesmo ano, o estudo FAZST, publicado no JAMA, avaliou 2.370 homens que tomaram ácido fólico e zinco ou placebo por seis meses. É um dos maiores ensaios já feitos sobre o tema. O suplemento não melhorou a qualidade do sêmen nem a taxa de nascidos vivos. Pior: os homens que tomaram a combinação tiveram mais fragmentação do DNA dos espermatozoides e mais sintomas gastrointestinais.
A revisão da Cochrane, referência mundial em análise de evidências, reuniu em 2022 noventa estudos com mais de 10 mil homens. Ela encontrou um possível benefício dos antioxidantes na gravidez e no nascimento, mas classificou essa evidência como de certeza baixa a muito baixa. Quando os estudos com maior risco de viés foram excluídos, o benefício no nascimento desapareceu. A conclusão dos autores foi que os dados são inconclusivos.
Em outras palavras: os estudos mais rígidos não confirmaram a promessa das embalagens.
O que dizem as diretrizes da AUA e da EAU
As diretrizes são documentos em que especialistas analisam todas as pesquisas disponíveis e dizem aos médicos o que deve, ou não, ser feito. Sobre suplementos, as duas principais sociedades de urologia do mundo chegam a conclusões parecidas.
A diretriz de infertilidade masculina da AUA e da ASRM orienta que o médico informe ao paciente que os suplementos, como antioxidantes e vitaminas, têm utilidade clínica questionável no tratamento da infertilidade. Ela também afirma que os dados existentes não permitem recomendar nenhuma fórmula específica, porque os estudos usam combinações e doses muito diferentes entre si.
A diretriz de saúde sexual e reprodutiva da Associação Europeia de Urologia (EAU) segue a mesma linha. Reconhece que antioxidantes podem melhorar alguns parâmetros do sêmen em homens com infertilidade sem causa definida, mas que a evidência de aumento real da chance de ter um filho é limitada. Também não recomenda nenhuma fórmula em particular.
Isso não significa que todo suplemento seja inútil ou que nenhum homem possa se beneficiar. Significa que ele não deve ser o primeiro passo, nem o único.
O que realmente muda o jogo: descobrir a causa
O maior problema do suplemento por conta própria não é o que ele faz, mas o que ele adia. Enquanto o homem toma cápsulas por seis meses, uma causa tratável pode continuar ali, sem diagnóstico, e o relógio biológico do casal continua correndo.
Na avaliação urológica, investigamos causas que têm tratamento específico. A varicocele, por exemplo, é uma das causas corrigíveis mais frequentes de alteração no sêmen. Alterações hormonais também pesam, e aqui existe uma armadilha comum: a testosterona e os anabolizantes usados por conta própria podem reduzir muito, ou até zerar, a produção de espermatozoides. A própria diretriz da AUA orienta que a testosterona não seja prescrita para quem deseja ter filhos.
Já atendi, aqui em Goiânia, um homem que usava anabolizantes e chegou com o espermograma sem nenhum espermatozoide. Com a suspensão do hormônio e o tratamento adequado, a produção voltou. Nenhuma cápsula da farmácia teria resolvido aquele caso, porque o problema não era falta de vitamina. Cada caso tem a sua evolução, e é por isso que a avaliação individual vem antes de qualquer decisão.
Também entram na conta medicamentos de uso contínuo, como a finasterida e alguns antidepressivos, além de cigarro, álcool, obesidade, sono ruim e excesso de calor na região dos testículos. Muitas vezes, ajustar o estilo de vida e cuidar da saúde como um todo, inclusive da saúde intestinal, traz mais resultado do que qualquer fórmula pronta.
E o suplemento? Ele pode ter espaço em situações específicas, como uma deficiência comprovada em exame ou como complemento de um tratamento já definido. Quem decide isso é a avaliação médica, e não a propaganda.
Antes da cápsula, a conversa certa
Se você e sua esposa estão tentando engravidar, o passo mais eficiente não está na prateleira da farmácia. Está numa avaliação completa do homem: história clínica, exame físico, espermograma bem interpretado e exames hormonais quando indicados. É assim que se descobre se existe uma causa tratável e qual é o melhor caminho para o casal.
Por que posso confiar neste artigo?
Este conteúdo foi escrito e revisado pelo Dr. Gustavo Inácio, urologista (CRM-GO 15785 | RQE 11078), formado em Medicina pela PUC Goiás, com residência em Cirurgia Geral e Urologia na Santa Casa de Goiânia. No consultório, dedica-se à investigação e ao tratamento da infertilidade masculina e ao acompanhamento de casais tentantes, além de produzir conteúdo educativo sobre o tema. As informações se baseiam nas diretrizes da Associação Americana de Urologia e da Associação Europeia de Urologia, em ensaios clínicos randomizados e em revisões sistemáticas, todos listados nas referências. O texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
Perguntas frequentes
Vitamina para aumentar espermatozoide funciona?
Os estudos mais rígidos, como o MOXI e o FAZST, não mostraram melhora da qualidade do sêmen nem da chance de ter um filho com as fórmulas testadas. As diretrizes da AUA e da EAU consideram o benefício incerto e não recomendam nenhuma fórmula específica.
Quanto tempo leva para o espermograma melhorar depois de um tratamento?
A produção de um espermatozoide leva cerca de três meses. Por isso, qualquer mudança de tratamento ou de estilo de vida costuma ser reavaliada com um novo espermograma após esse período.
Suplemento para fertilidade pode fazer mal?
Pode. No estudo FAZST, os homens que tomaram ácido fólico e zinco tiveram mais fragmentação do DNA dos espermatozoides e mais sintomas gastrointestinais. Doses altas de algumas vitaminas e minerais também têm efeitos indesejados, por isso a suplementação deve ser orientada por um médico.
Tomar testosterona ajuda a engravidar?
Não. A testosterona usada como medicamento, ou na forma de anabolizantes, sinaliza ao corpo que não precisa produzir o próprio hormônio e pode reduzir muito a produção de espermatozoides. A diretriz da AUA orienta que ela não seja prescrita para homens que desejam ter filhos.
Quando o homem deve procurar um urologista?
A recomendação é investigar o casal após 12 meses de tentativas sem gravidez, ou após 6 meses quando a mulher tem 35 anos ou mais. Homens com histórico de varicocele, cirurgia ou trauma nos testículos, uso de anabolizantes ou alterações conhecidas no sêmen devem procurar avaliação antes disso.
Onde fazer avaliação de infertilidade masculina em Goiânia?
O Dr. Gustavo Inácio, urologista em Goiânia, realiza a avaliação completa do homem e acompanha casais tentantes. O agendamento é feito pelo WhatsApp disponível no site e no Instagram @drgustavoinacio.uro.
Referências
- Schlegel PN, Sigman M, Collura B, et al. Diagnosis and Treatment of Infertility in Men: AUA/ASRM Guideline Part I e Part II. J Urol. 2021;205(1):36-43 e 44-51. Atualização: Brannigan RE, et al. J Urol. 2024.
- European Association of Urology. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. Arnhem: EAU Guidelines Office; edição vigente.
- Steiner AZ, Hansen KR, Barnhart KT, et al. The effect of antioxidants on male factor infertility: the Males, Antioxidants, and Infertility (MOXI) randomized clinical trial. Fertil Steril. 2020;113(3):552-560.
- Schisterman EF, Sjaarda LA, Clemons T, et al. Effect of Folic Acid and Zinc Supplementation in Men on Semen Quality and Live Birth Among Couples Undergoing Infertility Treatment: A Randomized Clinical Trial (FAZST). JAMA. 2020;323(1):35-48.
- de Ligny W, Smits RM, Mackenzie-Proctor R, et al. Antioxidants for male subfertility. Cochrane Database Syst Rev. 2022;5(5):CD007411.
- World Health Organization. Infertility prevalence estimates, 1990–2021. Genebra: WHO; 2023.
Como Dr. Gustavo Inácio, urologista em Goiânia, conduzo essa investigação com tempo, sem pressa e com o casal no centro do cuidado. A consulta é reservada e o agendamento pode ser feito pelo WhatsApp disponível no site e no Instagram @drgustavoinacio.uro. Fertilidade é coisa de dois, e o homem também precisa ser investigado. Homem forte se cuida.
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Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica. Indicações e resultados variam de pessoa para pessoa.
