Skip links

Azoospermia: o que é, quais são as causas e quando é possível recuperar espermatozoides

Poucas palavras assustam tanto um homem quanto azoospermia. Na maioria das vezes, o diagnóstico aparece de forma inesperada. O casal está tentando engravidar há alguns meses, o médico solicita um espermograma e, alguns dias depois, o laudo informa que não foram encontrados espermatozoides na amostra analisada. É comum que, nesse momento, muitos homens pesquisem rapidamente na internet e encontrem informações desencontradas. Alguns sites afirmam que a azoospermia significa infertilidade definitiva. Outros prometem tratamentos milagrosos. Nenhuma dessas abordagens ajuda o paciente.

A verdade é que a azoospermia não é uma doença. Ela é um achado do espermograma que precisa ser investigado. Em muitos casos, é possível identificar a causa e definir um tratamento adequado. Em outros, podem existir alternativas para recuperar espermatozoides diretamente do epidídimo ou dos testículos.

O mais importante é entender que o resultado do espermograma responde apenas uma pergunta:

Existem espermatozoides no ejaculado?

Ele não responde por que eles não estão ali.

E descobrir essa resposta é justamente o objetivo da investigação conduzida pelo urologista.

Na minha prática clínica como Dr Gustavo Inácio Urologista, em Goiânia, acompanho muitos homens que chegam ao consultório acreditando que nunca poderão ser pais. Na grande maioria das vezes, a primeira consulta muda completamente essa percepção, porque passamos a investigar a causa da azoospermia em vez de olhar apenas para o resultado do exame.


O que é azoospermia?

A azoospermia é definida como a ausência de espermatozoides no ejaculado, confirmada após análise adequada do sêmen.

Ela está presente em aproximadamente 1% da população masculina e em cerca de 10 a 15% dos homens que procuram investigação por infertilidade, segundo as diretrizes da American Urological Association (AUA) e da European Association of Urology (EAU). Embora o diagnóstico assuste, ele não significa necessariamente ausência de produção de espermatozoides.

Em alguns homens, os espermatozoides são produzidos normalmente, mas não conseguem chegar ao sêmen devido a uma obstrução dos canais. Em outros, existe realmente uma redução importante ou ausência da produção testicular. Essa diferença é fundamental, porque determina todo o tratamento.


Como a azoospermia é descoberta?

Na maioria dos casos, o homem não apresenta nenhum sintoma. A libido costuma ser normal. As ereções também. O volume ejaculado pode estar preservado. É justamente por isso que muitos pacientes descobrem a azoospermia apenas durante a investigação da infertilidade do casal. O principal exame para identificar essa alteração é o espermograma.

Entretanto, um único exame não costuma ser suficiente para confirmar definitivamente o diagnóstico. As diretrizes internacionais recomendam repetir o espermograma em laboratório experiente quando existe suspeita de azoospermia, garantindo que a análise seja realizada após centrifugação adequada da amostra. Se você deseja entender melhor como esse exame é realizado e como interpretar seus resultados, leia também nosso artigo sobre Espermograma: como interpretar o exame e entender os resultados.


Existem diferentes tipos de azoospermia?

Sim. E compreender essa diferença é o ponto mais importante de toda a investigação. De forma simplificada, dividimos a azoospermia em dois grandes grupos.

Azoospermia obstrutiva

Nesse tipo de azoospermia, os testículos continuam produzindo espermatozoides. O problema está no caminho que eles precisam percorrer até o ejaculado. É como uma fábrica funcionando normalmente, mas cuja saída está bloqueada. Entre as principais causas estão:

  • vasectomia;
  • ausência congênita dos ductos deferentes;
  • infecções;
  • cirurgias prévias;
  • obstruções dos ductos ejaculatórios.

Nessas situações, o volume testicular costuma ser normal e os níveis hormonais geralmente permanecem preservados.


Azoospermia não obstrutiva

Aqui o problema é diferente. Os testículos apresentam dificuldade para produzir espermatozoides em quantidade suficiente.

As causas podem incluir alterações genéticas, criptorquidia, lesões testiculares, quimioterapia, radioterapia, doenças hormonais e uso de testosterona ou esteroides anabolizantes. Esse tipo costuma representar aproximadamente 60% dos casos de azoospermia.

Embora seja mais complexo, ele também exige investigação cuidadosa, pois diferentes causas possuem diferentes possibilidades de tratamento.


Quais são as principais causas da azoospermia?

Diversas condições podem levar à ausência de espermatozoides no ejaculado. Entre elas, algumas merecem destaque por serem relativamente frequentes na prática clínica. Uma delas é o uso de testosterona exógena. Muitos homens desconhecem que a testosterona utilizada para fins estéticos ou esportivos pode bloquear temporariamente a produção de espermatozoides. Dependendo do tempo de uso e das características individuais, essa recuperação pode levar meses após a suspensão da medicação.

Outra causa importante são as alterações hormonais. Distúrbios que comprometem o funcionamento da hipófise ou do hipotálamo podem reduzir o estímulo necessário para que os testículos produzam espermatozoides. Também devemos lembrar das causas genéticas, especialmente em homens com azoospermia não obstrutiva. Nesses casos, exames específicos podem ser necessários para identificar alterações cromossômicas ou microdeleções do cromossomo Y.

O uso de testosterona exógena é uma das causas potencialmente reversíveis de azoospermia. Entenda por que isso acontece em nosso artigo “Testosterona pode causar infertilidade? Entenda como a reposição hormonal pode interromper a produção de espermatozoides.”

Já nos pacientes com azoospermia obstrutiva, causas como vasectomia, infecções ou ausência congênita dos ductos deferentes costumam ser mais frequentes. Perceba que estamos falando de doenças completamente diferentes. Por isso, dois homens com exatamente o mesmo resultado no espermograma podem precisar de tratamentos totalmente distintos.


A varicocele pode causar azoospermia?

Essa é uma dúvida bastante comum. Embora a varicocele seja considerada a principal causa tratável de infertilidade masculina, ela raramente é responsável por uma azoospermia completa. Na maioria das vezes, a varicocele provoca redução da quantidade e da motilidade dos espermatozoides, resultando em alterações como a oligoastenoespermia, tema que abordamos em outro artigo do blog.

Se você deseja entender como a varicocele pode comprometer a fertilidade masculina, leia também nosso artigo completo sobre Varicocele: o que é, sintomas, causas e quando a cirurgia pode melhorar a fertilidade masculina.


Como é feita a investigação da azoospermia?

Receber o diagnóstico de azoospermia é apenas o começo da investigação. O principal objetivo da consulta não é confirmar que não existem espermatozoides no ejaculado, pois isso o espermograma já demonstrou. A pergunta mais importante é outra:

Por que eles não estão presentes?

Responder essa pergunta muda completamente o tratamento. Por isso, a avaliação deve ser conduzida por um urologista com experiência em infertilidade masculina.

Na consulta, a investigação começa com uma história clínica detalhada. Informações sobre puberdade, cirurgias anteriores, infecções, histórico familiar, uso de testosterona ou esteroides anabolizantes, exposição a quimioterapia, radioterapia e doenças da infância ajudam a direcionar o diagnóstico.

Em seguida, realiza-se um exame físico cuidadoso. O volume dos testículos, a presença dos ductos deferentes e a pesquisa de varicocele fornecem informações importantes sobre a provável origem da azoospermia. Em muitos pacientes, essa avaliação já permite levantar uma forte suspeita diagnóstica antes mesmo dos exames complementares.


Quais exames podem ser necessários?

Após confirmar a azoospermia no espermograma, a investigação costuma ser ampliada.

Entre os exames mais frequentemente utilizados estão:

  • dosagem hormonal (FSH, LH, testosterona total e, em alguns casos, prolactina e estradiol);
  • ultrassonografia da bolsa escrotal;
  • ultrassonografia transretal, quando há suspeita de obstrução dos ductos ejaculatórios;
  • cariótipo;
  • pesquisa de microdeleções do cromossomo Y;
  • investigação de mutações do gene CFTR em pacientes selecionados.

Em homens que apresentam espermatozoides recuperados em situações específicas, a avaliação da integridade do DNA pode fazer parte da análise individualizada. Conheça mais sobre esse exame em nosso artigo sobre fragmentação do DNA espermático.

Nem todos os homens precisarão realizar todos esses exames.

A escolha depende das características clínicas de cada paciente e da suspeita levantada durante a consulta.

Essa abordagem individualizada é recomendada tanto pela American Urological Association (AUA) quanto pela European Association of Urology (EAU).


É possível recuperar espermatozoides?

Sim. Essa é uma das informações mais importantes que o paciente precisa conhecer.

A ausência de espermatozoides no ejaculado não significa obrigatoriamente que eles não existam nos testículos ou no epidídimo. Em alguns homens com azoospermia obstrutiva, os testículos continuam produzindo espermatozoides normalmente. O problema está apenas na passagem dessas células até o sêmen. Já em pacientes com azoospermia não obstrutiva, a produção pode estar reduzida, mas ainda existir em pequenas áreas do tecido testicular. Nessas situações, existem procedimentos específicos que podem ser indicados para procurar e recuperar espermatozoides diretamente do epidídimo ou do testículo.

A indicação depende da causa da azoospermia e deve ser individualizada. Em homens com azoospermia não obstrutiva cuidadosamente selecionados, estudos mostram que procedimentos de microdissecção testicular conseguem recuperar espermatozoides em aproximadamente 40% a 60% dos casos, embora essa taxa varie conforme a doença de base.


Existe tratamento para a azoospermia?

Existe, mas o tratamento depende completamente da causa identificada. Quando a azoospermia está relacionada ao uso de testosterona ou esteroides anabolizantes, por exemplo, a suspensão dessas substâncias pode permitir a recuperação gradual da produção de espermatozoides. Em pacientes com alterações hormonais, medicamentos específicos podem estimular novamente a espermatogênese quando existe indicação.

Nos casos obstrutivos, algumas obstruções podem ser tratadas cirurgicamente ou por meio de procedimentos específicos. Quando existe produção de espermatozoides no interior do testículo, também podem ser indicados procedimentos para sua recuperação. Perceba que a palavra-chave é sempre a mesma: diagnóstico.

Antes de definir qualquer tratamento, é preciso compreender por que a azoospermia aconteceu. É justamente essa investigação que oferece ao paciente as melhores possibilidades de cuidado.


Quanto mais cedo investigar, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento

Um erro relativamente frequente é adiar a investigação por acreditar que “com o tempo melhora”. Na prática, isso pode significar perda de oportunidades importantes. Além da idade do homem, também devemos considerar o tempo de infertilidade do casal e a idade da parceira. Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento e de planejamento adequado. Por isso, homens que apresentam azoospermia no espermograma devem procurar avaliação especializada o quanto antes.


Conclusão

Receber o diagnóstico de azoospermia assusta. É natural que muitos homens pensem imediatamente que nunca poderão ser pais. Entretanto, esse resultado representa apenas uma etapa da investigação. O espermograma mostra que não existem espermatozoides no ejaculado. Ele não explica por que isso aconteceu. É justamente essa resposta que direciona todo o tratamento.

Ao longo da minha experiência acompanhando homens com infertilidade, aprendi que dois pacientes com o mesmo resultado no espermograma podem ter histórias completamente diferentes e necessitar de condutas totalmente distintas. Por isso, mais importante do que decorar termos técnicos é compreender que a azoospermia precisa ser investigada de forma completa e individualizada. Se você recebeu esse diagnóstico, procure um urologista com experiência em infertilidade masculina. Descobrir a causa é sempre o primeiro passo para definir o melhor caminho.


Perguntas frequentes (FAQ)

O que significa azoospermia?

Azoospermia é a ausência de espermatozoides no ejaculado, confirmada pelo espermograma.

Azoospermia significa infertilidade definitiva?

Não necessariamente. Existem diferentes causas de azoospermia, e muitas delas podem ser tratadas ou investigadas com possibilidade de recuperação de espermatozoides.

Qual é a diferença entre azoospermia obstrutiva e não obstrutiva?

Na azoospermia obstrutiva, os testículos produzem espermatozoides, mas existe uma obstrução que impede sua saída. Na forma não obstrutiva, o principal problema está na produção dessas células.

O uso de testosterona pode causar azoospermia?

Sim. A testosterona exógena e os esteroides anabolizantes podem bloquear a produção natural de espermatozoides.

A varicocele causa azoospermia?

Na maioria dos casos, não. A varicocele costuma provocar redução da quantidade e da motilidade dos espermatozoides, sendo mais frequentemente associada à oligoastenoespermia do que à azoospermia.

Todo homem com azoospermia precisa fazer cirurgia?

Não. A necessidade de cirurgia depende da causa da azoospermia. Alguns pacientes necessitam apenas de tratamento clínico, enquanto outros podem se beneficiar de procedimentos específicos para correção de obstruções ou recuperação de espermatozoides.


Por que você pode confiar neste artigo?

Este conteúdo foi elaborado pelo Dr Gustavo Inácio Urologista, com atuação em andrologia e infertilidade masculina, utilizando como base as recomendações mais recentes da American Urological Association (AUA), da European Association of Urology (EAU), da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é oferecer informações confiáveis, atualizadas e fundamentadas em evidências científicas, traduzidas para uma linguagem acessível e útil para homens e casais que enfrentam dificuldades para engravidar.


Referências bibliográficas

  • European Association of Urology. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. Versão mais recente.
  • American Urological Association (AUA) & American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Diagnosis and Treatment of Infertility in Men Guideline. Versão mais recente.
  • Organização Mundial da Saúde. WHO Laboratory Manual for the Examination and Processing of Human Semen. 6ª edição.
  • American Society for Reproductive Medicine. Committee Opinion on the Evaluation of Azoospermia.
Este site utiliza cookies para melhorar usa experiência.