Skip links

Oligoastenoespermia: o que é, quais são as causas e como tratar essa importante causa de infertilidade masculina

Receber um espermograma alterado costuma ser um dos momentos de maior ansiedade para um casal que sonha em ter filhos. Muitos homens olham para o resultado, encontram a palavra oligoastenoespermia e imediatamente pensam que nunca conseguirão ser pais. Felizmente, essa conclusão quase nunca é verdadeira.

Na maioria das vezes, a oligoastenoespermia não representa um diagnóstico definitivo. Ela é um sinal de que algo está interferindo na produção ou no funcionamento dos espermatozoides. E identificar essa causa é o primeiro passo para aumentar as chances de uma gestação.

Como Dr. Gustavo Inácio, urologista, acompanho diariamente casais que chegam ao consultório em Goiânia carregando medo, culpa e muitas dúvidas. Grande parte deles acredita que um exame alterado significa infertilidade permanente. Na prática, porém, vejo inúmeros casos em que mudanças no estilo de vida, tratamento adequado ou correção de fatores específicos melhoram significativamente a fertilidade. É exatamente por isso que compreender o significado da oligoastenoespermia faz tanta diferença.

O que é oligoastenoespermia?

O termo parece complicado, mas sua definição é bastante simples.

Oligo significa “pouco”. Asteno significa “movimento reduzido”. Assim, oligoastenoespermia é a combinação de baixa concentração de espermatozoides com redução da motilidade, ou seja, da capacidade dessas células de se deslocarem até o óvulo.

Imagine uma corrida. Se poucos atletas largam e, além disso, muitos deles correm lentamente, as chances de alguém chegar primeiro diminuem bastante. É exatamente isso que acontece durante a fecundação Os espermatozoides precisam percorrer um longo caminho dentro do aparelho reprodutor feminino. Quando há menos células disponíveis e muitas delas apresentam dificuldade para nadar, a probabilidade de fecundação espontânea diminui. Mas isso não significa que ela seja impossível. Essa diferença é fundamental.

A oligoastenoespermia é comum?

Sim.

A infertilidade afeta aproximadamente 15% dos casais em idade reprodutiva no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o fator masculino participa, isoladamente ou em associação com fatores femininos, em cerca de metade desses casos.Entre as alterações encontradas no espermograma, a oligoastenoespermia está entre as mais frequentes. Isso explica por que ela é um dos diagnósticos mais comuns nos consultórios especializados em infertilidade masculina.

Apesar disso, muitos homens demoram meses ou até anos para procurar ajuda. Alguns sentem vergonha,outros acreditam que o problema está necessariamente na parceira. Há ainda aqueles que recebem um espermograma alterado e iniciam suplementos por conta própria, sem investigar a verdadeira causa da alteração. Esse atraso pode reduzir as chances de sucesso do tratamento.

O que pode causar oligoastenoespermia?

Essa talvez seja a pergunta mais importante deste artigo. A oligoastenoespermia não é uma doença em si. Ela é a consequência de uma ou mais alterações que interferem na produção, maturação ou transporte dos espermatozoides. Por isso, descobrir a causa é muito mais importante do que simplesmente tratar o resultado do espermograma.

Entre todas as causas conhecidas, a varicocele continua sendo a principal causa tratável de infertilidade masculina. Trata-se da dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos. Essa alteração aumenta a temperatura local, favorece o estresse oxidativo, aumenta a taxa de fragmentação de DNA e prejudica a produção dos espermatozoides. Outra causa extremamente frequente é o uso de testosterona ou de esteroides anabolizantes. Esse é um tema que merece atenção especial.

Muitos homens utilizam testosterona para melhorar desempenho físico, ganhar massa muscular ou combater sintomas inespecíficos sem saber que esse tratamento pode bloquear temporariamente e, em alguns casos, por um período prolongado a produção natural de espermatozoides. Na prática clínica, essa é uma das causas reversíveis mais comuns de infertilidade masculina. Saiba mais em nosso artigo sobre testosterona e infertilidade masculina.

Além disso, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, diabetes, distúrbios hormonais, infecções, criptorquidia, algumas alterações genéticas e a exposição frequente ao calor também podem comprometer a qualidade do sêmen. Nos últimos anos, outro fator ganhou destaque: o estresse oxidativo.

Quando há excesso de radicais livres, os espermatozoides podem sofrer danos em sua membrana e em seu material genético. Esse processo reduz sua capacidade de movimentação e pode dificultar a fecundação. É justamente por isso que as diretrizes da American Urological Association (AUA) e da European Association of Urology (EAU) recomendam uma investigação individualizada. O tratamento só é realmente eficaz quando a causa da alteração é identificada.

Como saber se tenho oligoastenoespermia?

Diferentemente de muitas doenças, a oligoastenoespermia quase nunca provoca sintomas. O homem costuma ter ereções normais, ejaculação normal, libido preservada e vida sexual satisfatória. Na maioria das vezes, a descoberta acontece apenas quando o casal decide engravidar e a gestação não ocorre após um período de tentativas. Por isso, o espermograma continua sendo o principal exame para iniciar a investigação da fertilidade masculina.

No entanto, um único exame alterado não deve ser interpretado isoladamente. As diretrizes internacionais recomendam repetir o espermograma quando necessário e sempre interpretar seus resultados em conjunto com a história clínica, o exame físico e outros exames complementares. Esse cuidado evita diagnósticos equivocados e permite direcionar o tratamento de forma muito mais precisa.

Não trate apenas o exame. Trate a causa.

Uma das maiores lições da andrologia moderna é que dois homens podem apresentar exatamente o mesmo resultado no espermograma e, ainda assim, precisar de tratamentos completamente diferentes. Um pode ter varicocele. Outro pode estar usando testosterona. Um terceiro pode apresentar alteração genética. Enquanto outro pode ter apenas hábitos de vida inadequados.

É por isso que copiar suplementos da internet ou iniciar tratamentos sem avaliação especializada costuma trazer frustração. O espermograma mostra o que está acontecendo. O papel do urologista é descobrir por que isso está acontecendo. E é justamente essa investigação que oferece ao casal as melhores chances de alcançar uma gravidez, seja naturalmente ou com o auxílio das técnicas de reprodução assistida.


Como é feito o diagnóstico da oligoastenoespermia?

Depois que o espermograma demonstra redução da concentração e da motilidade dos espermatozoides, surge uma pergunta muito mais importante do que o próprio resultado do exame: por que isso aconteceu? É exatamente nesse momento que começa a verdadeira investigação da infertilidade masculina.

As diretrizes da American Urological Association (AUA) e da European Association of Urology (EAU) reforçam que nenhum homem deve receber tratamento apenas com base em um espermograma alterado. O exame é indispensável, mas representa apenas uma parte da avaliação.

Na minha prática clínica como Dr. Gustavo Inácio, urologista, em Goiânia, a consulta começa com uma conversa detalhada com o casal tentante. Muitas vezes, a causa da oligoastenoespermia está escondida na história do paciente. Perguntas sobre uso de testosterona, esteroides anabolizantes, histórico de caxumba após a puberdade, cirurgias inguinais, tabagismo, obesidade, exposição ao calor, profissão, doenças crônicas e histórico familiar ajudam a direcionar a investigação.

Em seguida, realizo um exame físico completo, com atenção especial para o volume testicular e a presença de varicocele. Em muitos pacientes, somente essa avaliação já fornece pistas importantes sobre a origem da alteração. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames hormonais, ultrassonografia com Doppler da bolsa escrotal, avaliação genética e testes específicos, como a fragmentação do DNA espermático. Esses exames não são necessários para todos os homens, mas tornam-se fundamentais quando existe suspeita de alterações hormonais, doenças genéticas ou infertilidade mais grave.

Essa abordagem individualizada evita tratamentos desnecessários e aumenta a chance de identificar causas potencialmente reversíveis.

Como é feito o tratamento?

Uma das maiores dúvidas dos pacientes é se a oligoastenoespermia tem tratamento. Na maioria dos casos, sim. Mas o tratamento depende diretamente da causa identificada durante a investigação.

Quando existe varicocele clinicamente significativa associada a alterações do espermograma, por exemplo, a correção cirúrgica pode melhorar a produção de espermatozoides em pacientes cuidadosamente selecionados. As diretrizes da AUA e da EAU reconhecem a varicocelectomia como uma opção importante nesses casos.

Quando o problema está relacionado ao uso de testosterona ou anabolizantes, a primeira medida costuma ser interromper essas medicações, sempre com acompanhamento médico. Muitos homens desconhecem que a testosterona exógena pode reduzir drasticamente a produção de espermatozoides e, felizmente, em boa parte dos casos há recuperação parcial ou até completa da fertilidade após a suspensão adequada.

As mudanças no estilo de vida também exercem papel importante. Perda de peso, prática regular de atividade física, abandono do cigarro, redução do consumo de álcool, melhora da qualidade do sono e controle de doenças como diabetes podem contribuir para melhorar a saúde reprodutiva masculina.

Em algumas situações específicas, medicamentos hormonais podem ser indicados para corrigir alterações do eixo hormonal. Já os antioxidantes podem ser considerados em pacientes selecionados, principalmente quando existe suspeita de estresse oxidativo. Entretanto, é importante destacar que as diretrizes internacionais não recomendam o uso indiscriminado de suplementos para todos os homens com infertilidade. O tratamento deve ser individualizado e baseado na causa identificada.

É possível engravidar naturalmente?

Essa é, provavelmente, a pergunta que mais escuto no consultório. E a resposta é: depende.

Existem homens com oligoastenoespermia leve que conseguem uma gestação espontânea após corrigir fatores de risco ou realizar o tratamento da causa identificada. Outros apresentam alterações mais importantes e acabam necessitando de técnicas de reprodução assistida. Por isso, interpretar apenas um número do espermograma pode ser enganoso.

A fertilidade depende da combinação entre quantidade, motilidade, morfologia dos espermatozoides, idade da parceira, reserva ovariana, frequência das relações sexuais e diversos outros fatores. É justamente essa visão global que permite oferecer ao casal a melhor estratégia para alcançar a gravidez. Mais importante do que decorar valores de referência é compreender que cada casal possui uma história diferente e merece uma avaliação personalizada.

Quando procurar um urologista?

Muitos casais adiam a investigação acreditando que “é só esperar mais um pouco”. Em alguns casos isso realmente acontece. Em outros, esse atraso pode significar perda de tempo precioso, principalmente quando a idade da mulher está avançando.

As sociedades médicas recomendam investigação após doze meses de tentativas sem sucesso para casais em que a mulher tenha menos de 35 anos. Quando ela possui 35 anos ou mais, essa avaliação deve ser iniciada após seis meses.

Além disso, homens com histórico de criptorquidia, uso de testosterona, varicocele conhecida, cirurgias testiculares, quimioterapia, radioterapia ou alterações importantes do espermograma devem procurar avaliação especializada independentemente do tempo de tentativas.

Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento.

Conclusão

Receber o diagnóstico de oligoastenoespermia pode assustar, mas ele não deve ser encarado como o fim do sonho de ter filhos.

Na maioria das vezes, esse resultado representa apenas o início de uma investigação mais detalhada.

Ao longo dos anos acompanhando casais que enfrentam dificuldades para engravidar, aprendi que o espermograma conta apenas parte da história. O verdadeiro desafio é descobrir o que está causando aquela alteração e construir um plano de tratamento individualizado.

Se você ou sua parceira estão tentando engravidar há algum tempo e o seu espermograma mostrou oligoastenoespermia, procure avaliação especializada. Um diagnóstico preciso pode fazer toda a diferença no caminho até a gravidez.

Se você está em Goiânia ou região e deseja uma investigação completa da infertilidade masculina, agende uma consulta com o Dr. Gustavo Inácio, urologista. A avaliação individualizada é o primeiro passo para identificar causas tratáveis e definir a melhor estratégia para o seu caso.


Perguntas frequentes (FAQ)

O que significa oligoastenoespermia?

É a combinação de baixa concentração de espermatozoides com redução da motilidade, dificultando que essas células alcancem o óvulo.

Oligoastenoespermia tem cura?

Ela não é uma doença, mas uma alteração do espermograma. Quando sua causa é identificada e tratada, muitos homens apresentam melhora significativa da fertilidade.

Quem tem oligoastenoespermia pode engravidar naturalmente?

Sim. Dependendo da gravidade da alteração e da causa envolvida, a gravidez espontânea pode ocorrer. Em outros casos, pode ser necessário recorrer à reprodução assistida.

Varicocele pode causar oligoastenoespermia?

Sim. A varicocele é considerada a principal causa tratável de infertilidade masculina e pode reduzir tanto a quantidade quanto a motilidade dos espermatozoides.

Testosterona pode causar oligoastenoespermia?

Sim. O uso de testosterona exógena e esteroides anabolizantes pode diminuir ou até interromper temporariamente a produção de espermatozoides.

Todo homem com oligoastenoespermia precisa fazer fertilização in vitro?

Não. Muitos pacientes conseguem melhora após tratar a causa da alteração. A indicação de reprodução assistida depende da avaliação completa do casal.


Por que você pode confiar neste artigo?

Este conteúdo foi elaborado pelo Dr. Gustavo Inácio, urologista, com base na prática clínica em andrologia e infertilidade masculina, aliado às recomendações das principais sociedades científicas internacionais, como a American Urological Association (AUA), a European Association of Urology (EAU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é oferecer informações confiáveis, atualizadas e fundamentadas em evidências, ajudando o paciente a compreender seu diagnóstico e a tomar decisões conscientes sobre sua saúde reprodutiva.

Referências bibliográficas

  • European Association of Urology. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. Versão mais recente.
  • American Urological Association e American Society for Reproductive Medicine. Diagnosis and Treatment of Infertility in Men Guideline. Versão mais recente.
  • Organização Mundial da Saúde. WHO Laboratory Manual for the Examination and Processing of Human Semen. 6ª edição.
  • American Society for Reproductive Medicine. Committee Opinions on Male Infertility.
  • European Society of Human Reproduction and Embryology. Guideline on male infertility.
Este site utiliza cookies para melhorar usa experiência.